Depois de ser abandonada pela mãe aos cinco anos e passar por mais de 28 orfanatos no Senegal, Mariéme Jamme deu a volta por cima – e está disposta a não deixar nenhuma outra menina sofrer o mesmo.
Mariéme
já viu a pior face do ser humano. Além da vida nos orfanatos, ela foi
traficada para a França aos 14 anos, onde foi abusada sexualmente e
precisou viver nas ruas. Sua sorte começou a mudar quando foi detida
pela polícia francesa, aos 16 anos, e enviada a um centro de refugiados.
No local, a senegalesa aprendeu a ler e escrever (e se apaixonou pelos
estudos!). Pouco tempo depois, já estava inscrita – e aceita – em um
programa de intercâmbio para refugiados que a levaria a viver na
Inglaterra. Chegando lá, aprendeu inglês, mas também trabalhou como
faxineira, cozinheira e conseguiu um trabalho em um supermercado. Nas
horas vagas, se dedicava a estudar programas como o Excel.
Graças à dedicação, ela conseguiu uma vaga para trabalhar preenchendo
planilhas em um pequeno banco em Londres, onde ficou dois anos. De lá,
foi para o HSBC, onde seu trabalho acabou gerando lucros de US$ 75
milhões ao banco – e, com uma comissão sobre esse valor, Mariéme estava
pronta para mudar de vida de vez, como contou à Revista TRIP!
Daí pra frente se somaram outras oportunidades. A senegalesa trabalhou para a Oracle e chegou a fundar sua própria empresa de tecnologia,
até que percebeu que poderia ir ainda mais longe. Ela não queria que
nenhuma outra menina passasse pelos traumas que viveu durante a infância
e a adolescência.
Assim surgiu, há 10 anos, o movimento I Am the Code, com o objetivo nada modesto de ensinar um milhão de meninas a programar até 2030. Um dos produtos criados pelo movimento é um kit que ensina programação em apenas cinco minutos. A atuação rendeu a Mariéme um título de Embaixadora da Tecnologia da ONU, seu primeiro e mais importante diploma.


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